A partir do próximo dia 12, o público curitibano poderá ter contato com a rica arte da gravura do artista polonês Maciej Antoni Babinski, radicado no Brasil desde 1953. Em desenhos, gravuras, aquarelas e pinturas, sempre impulsionados por suas experiências de vida, o trabalho de criação de Babinski nada mais é do que sua forma pessoal de ver, sentir e expressar artisticamente o mundo que o rodeia.
A exposição reúne 97 obras, sendo seis gravuras em metal e duas litografias criadas no Canadá; 41 gravuras em metal e 14 xilogravuras criadas no Brasil até 1986; 19 gravuras em metal criadas em 2006; e 15 gravuras em metal de 2008/2009, já do período de Várzea Alegre, cidade no interior do Ceará, onde ele vive atualmente.
A curadora Elizabeth Nasser destaca que as obras mais recentes permitem um diálogo com as anteriores, criadas até 1986, e revelam o percurso de esforço e concentração empreendido pelo talento criador do artista. “Mas a sua gravura não é apenas cerebrina, resultado só de cálculo e razão”, diz Elizabeth. Ela acrescenta que “Babinski é altamente sensível e a atmosfera lírica que envolve sua criação torna-se visível para o observador”.
Na obra de Babinski, “é o belo-horrível que se apresenta ao olhar do espectador, que o incomoda e o faz refletir e que, sobretudo, não o deixa acomodado”, explica a curadora.
Babinski
Babinski nasceu em Varsóvia, na Polônia, em 1931. Estudou desenho e gravura em Montreal, no Canadá, onde participou ativamente da vida artística, expondo com o grupo de vanguarda “Les Automatistes”. A primeira exposição individual acontece no Canadá, em maio de 1953, pouco antes do desembarque no Rio de Janeiro, como imigrante. No Rio, onde viveu até 1965, Babinski realizou duas exposições individuais de gravuras, desenhos e aquarelas.
Muda-se depois para Brasília, convidado a lecionar no ICA/UnB, e onde conclui várias gravuras. Vítima do clima político da época, deixa a UnB e segue com a família para São Paulo um ano depois. Ali, entre 1966 e 1974, o artista realiza a parte principal de sua obra gravada.
Em 1974 muda-se novamente, desta vez para Araguari e cinco anos depois para Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Convidado a lecionar na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), viveu na cidade entre 1979 e 1987. Com a abertura política, em 1988, foi reintegrado à UnB e lá permaneceu até se aposentar em 1991.